A questão ecológica é indissociável da questão humana

A questão ecológica deve ser pensada como a questão humana. A questão humana exige filosofia, psicologia, literatura e poesia. A questão ecológica é idêntica.

Como é que nos queremos relacionar com o meio-ambiente? Como é que nos vemos enquanto espécie que (co)habita um mundo juntamente com milhares de outras espécies?

Na questão humana, analisamos a nossa experiência e comportamento quanto a nós mesmos (ao eu) e aos outros. A literatura permite-nos experienciar como reagimos perante uma situação de demência ou depois de um acontecimento traumatizante. A psicologia categoriza essas condições e comportamentos. A filosofia tenta explorar quem somos enquanto ser racional ou pensador, responder a dilemas éticos e levar-nos mais além enquanto sociedade. A poesia tenta aceder ao maravilhoso.

A questão ecológica pode ser abordada do mesmo modo. Além dos dados científicos (por ex. o aumento das temperaturas médias, da ocorrência de fenómenos metereólogos extremos, ou da percentagem de terrenos utilizados para a criação de gado), podemos recorrer a outras ciências para responder a inúmeras questões que nos podem ajudar a transitar o momento em que vivemos para um estilo de vida mais sustentável. Por exemplo:

  • Como é que o ser humano vive o afastamento da natureza? Quais as consequências deste afastamento?
  • Em que condições vivem os animais que são criados para consumo humano?
  • Porque é que não se comunica mais os factos relevantes para a crise climática, como o impacto do sistema alimentar no ambiente?

A literatura pode ajudar-nos a imaginar novos mundos. A ficção científica poderá ajudar-nos a imaginar um mundo apocalíptico depois da destruição dos limites planetários; ou um mundo onde encontrámos uma solução sustentável para a relação do ser humano com as outras espécies e os recursos do Planeta. A psicologia poderá ajudar a explicar o negacionismo perante as alterações climáticas ou a nossa inação; ou explicar porque é que o ser humano se sente tão atraído pelo consumo.

Enquanto sociedade, ao longo dos séculos, tentámos organizar-nos pelo bem comum. Criámos instituições sociais, religiosas, políticas e económicas. Imaginámos a democracia, o socialismo e a anarquia. Vivemos a ditadura. Desenvolvemos o Estado Social. Ainda andamos a tentar aperfeiçoar estes modelos, mas estamos activos. Trabalhamos. Pagamentos impostos. Vamos votar.

Chegou o momento de reorganizarmos a sociedade, de repensar a humanidade com um conceito distinto, sustentável e ecológico.

Trazer para a questão humana, a questão ecológica, implica rever a organização das instituições, da sociedade, da educação e, num exercício mais difícil é certo, alterar o curso da nossa história recente. A partir da Revolução Industrial, com um avanço dramático nos últimos 50 anos devido ao desenvolvimento da tecnologia, o progresso da humanidade passou a medir-se em mais e maior. É preciso alterar o valor e o significado do progresso. Parece que chegou o momento de mudar o próprio foco do progresso, da economia para o ser humano e o meio-ambiente.

A questão ecológica é indissociável da questão humana e a sobrevivência da nossa espécie e a maneira como queremos viver depende do aprofundamento das duas questões intrínsecas.

Traduzido do português para inglês e francês com DeepL.com (versão gratuita)

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