Porque precisamos de histórias de fantasia

Num buraco do chão vivia um hobbit.

Para os apaixonados de Tolkien, a primeira frase do livro O Hobbit provoca calafrios. Tanto a história de O Hobbit e O Senhor dos Anéis fazem-nos viver certas emoções com uma intensidade que raramente sentimos nas nossas vidas: esperança, desespero, o sentido de humanidade, o risco de vida ou morte ou o de irmandade. Essas emoções nascem dos desafios impossíveis enfrentados pelos personagens, desafios que muitas vezes põem em causa a sobrevivência de toda uma espécie ou de um continente. Na liderança do combate à sobrevivência surgem personagens inspiradores, capazes de sacrifícios sobre-humanos. Frente a uma batalha que se aproxima, fazem-se discursos que apelam à coragem de cada um, pede-se que cada pessoa acredite e que tenha esperança que a batalha possa ser vencida.

Nas histórias de fantasia, estão representados o melhor e o pior da humanidade: a força, o sentido que pode unir um grupo de pessoas ou a criatividade; e, por outro lado, a ambição cega, a ganância e a manipulação. Mas não só. A fantasia ensina que o mal não compensa e que, por mais que pareça difícil, podemos ultrapassar quase todos os obstáculos que se nos apresentarão durante as nossas vidas, se tivermos paciência e se utilizarmos a inteligência, a coragem e o bem.

Além de uma boa história para se ouvir ou se contar, enquanto género, a fantasia tem um papel muito importante na nossa construção enquanto pessoas e, talvez por isso, Tolkien tenha escrito e contado O Senhor dos Anéis aos seus três filhos, ao final dos dias de Inverno, em frente ao fogo da lareira. A fantasia recria e, de certa forma, exagera alguns dos desafios que enfrentamos, ensina a diferença entre o bem e o mal, da importância dos valores e de como podemos ultrapassar-nos a nós mesmos. Um dos factos que eu acho mais curiosos nas histórias de Tolkien é que o autor deu o principal papel às personagens mais improváveis da sua Terra Média. Podia ser uma história sobre os elfos, mágicos e imortais, sobre os grandes feiticeiros ou até os poderosos homens, mas ele centrou-se nas personagens mais simples, que até são as mais pequenas e frágeis. E eu penso que a mensagem de Tolkien é simples: até a pessoa mais pequena e insignificante pode ter um papel importante, na sua vida, na vida dos outros e na história da humanidade. Como se diz na minha língua “os homens não se medem aos palmos”, as pessoas extraordinárias medem-se pelas suas acções.

A fantasia tem o poder de acordar em nós a vontade de queremos ser melhor e de lutarmos por um mundo melhor e o que poderia ser mais importante do que isso?

Traduzido do português para inglês e francês com DeepL.com (versão gratuita)

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