A primeira história que alguma vez quis escrever foi a história da minha família. Sempre adorei ouvir contar histórias e as primeiras que ouvi vieram dos meus pais, os meus avós e a madrinha da minha mãe. Não sei dizer se eram eles que partilhavam espontaneamente as suas recordações de juventude ou se era eu que as pedia. De todo o modo, sempre me fascinaram. Pareciam-me histórias de tempos longínquos. Contos de amizade, de dificuldade misturada com alegria, os pequenos prazeres da vida e, para a miúda que eu era na altura, de aventura.
Adorava imaginar os meus avós ou os meus pais a dormir ao relento debaixo de uma amendoeira, de acamparem na praia uma semana inteira, de roubarem uvas e albricoques na casa de algum vizinho, de ouvir novelas na telefonia em casa de um vizinho e de ler à luz do candeeiro a petróleo. As imagens que me vinham à minha cabeça de menina eram românticas e o facto de essa vida me parecer perdida, deu-me uma vontade imensa de a querer escrever.
Acabei por querer escrever histórias a vida toda, porque ouvir e ler histórias sempre me fez sonhar. Mas hoje, quero escrever histórias e textos diferentes. Não quero apenas fazer sonhar ou viajar com a minha escrita, quero acima de tudo, inspirar. Na escrita tudo é possível. Podemos dar a vida a seres fantásticos como os dragões ou lobisomens, mas também podemos imaginar mundos melhores. Neste momento, é isso que me move: as possibilidades. Acredito profundamente na capacidade de cada um de nós, individualmente, e enquanto sociedade, de mudarmos, de nos melhorarmos e o meu sonho é conseguir escrever histórias e outros textos que nos inspirem para esse caminho.
Escrever é também a maneira mais natural que tenho para me exprimir. Quando escrevo sinto-me mais próxima de mim, há uma serenidade que desce em mim e me acalma. As ideias surgem naturalmente e é mais fácil organizar e compreender o funcionamento das pessoas e do mundo. A leitura tem o mesmo efeito em mim. Por vezes, releio uma frase várias vezes, copio outras e deixo-me ficar algum tempo nelas. A leitura ensina-nos a viver melhor, a observarmos o comportamento dos outros, a viver de perto as suas experiências; e isso faz-nos crescer e querer ser melhores. Eu preciso disso e gosto de partilhar esta minha vontade.
Esta semana li um capítulo do livro “Jusqu’au bord de son ravid” de Wajdi Mouaward. O capítulo em questão era sobre o verbo ver e uma das frases que me deixou a pensar foi a seguinte:
“A revelação não é, portanto, apenas algo que se sofre. Ela convida à ação. (...) Agir. Fazer do verbo “ver” um acto de afirmação. A escrita é, de certa forma, a afirmação do verbo ver.”
Wajdi Mouaward resumiu tão bem este ímpeto de escrever. As histórias que estão e nascem em cada dia em mim vieram das histórias orais e talvez um dia destes comece a escrever finalmente essa primeira história que tanto quis escrever. Acho que a menina em mim ficaria feliz.
Traduzido do português para inglês e francês com DeepL.com (versão gratuita)







