A Virginia Woolf disse-o tão bem: é preciso um quarto só nosso para escrever. O seu quarto é uma metáfora para espaços (sociais e físicos) no contexto de uma sociedade onde ainda era quase impossível para uma mulher ser educada, quanto mais escrever ou ser independente.

Esses espaços ainda são precisos hoje. O espaço físico onde escrever, o espaço mental onde nos autorizamos a ser artistas quando a sociedade pede para produzirmos e a independência económica. Não chega sonharmos. Eu acredito que a arte é inata a cada ser humano, mas o conceito e a consideração pela arte na nossa sociedade ainda são peculiares. Reverenciamos os artistas famosos – os artistas plásticos de renome, os cantores que dão concertos para milhares de fãs, ou os actores de Hollywood – mas na escola há pouco espaço dedicado à arte, como se desenhar fosse menos importante que aprender geografia. Nos meus nove anos de ensino obrigatório, tive dois anos de Educação Musical, não aprendi nenhum instrumento e as únicas danças que me lembro de dançar eram as marchas populares que depois se dançava em espectáculo de final de ano escolar.

Vemos o artista como excêntrico, mas acredito que também há uma certa inveja pela liberdade que imaginamos no artista e admiração. Ali está alguém que não está preso no trânsito de manhã, que provavelmente não tem horários, nem cumpre regras, mas sobretudo, ali está um espírito livre.

O maior espaço que me dei este ano foi o espaço para explorar, o que pode incluir o sucesso, mas também o falhanço. Vou embarcar em dois principais projectos literários, sem prazos. Não sei onde me levarão, mas sinto que só o caminho vai mudar a minha vida.

 

Traduzido do português para inglês e francês com DeepL.com (versão gratuita)

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