Andei a vida inteira à procura de aprender a escrever para poder ser escritora. O que eu não tinha percebido, é que se nasce escritor, como se nasce pintor ou dançarino. O que falta é criar o espaço de criação, percebermos que a arte é uma necessidade vital, não um apêndice, uma atividade de lazer ou distração. Nasce-se artista e não podemos fugir dessa condição.
Para criar é preciso aceitar esta simples premissa.
Sem o saber, a minha vida mudou radicalmente quando decidi colocar a escrita no centro da minha vida. Antes, nunca estava no sítio certo. Agora, estou exatamente onde deveria estar. Eu adapto o meu trabalho remunerado em função da escrita e não ao contrário. Tenho dias inteiros em que escrevo, leio, tomo notas, reflito. A minha vida passou a ser um movimento para a escrita.
A liberdade está neste meu novo espaço.
Aqui vos deixo fragmentos desta vida de escritora.